Como falha em ar-condicionado quase impediu um dos primeiros transplantes de fígado no interior de SP

  • 16/05/2026
(Foto: Reprodução)
Falha em ar-condicionado quase impediu um dos primeiros transplantes de fígado em SP Um problema técnico no sistema de ar-condicionado do centro cirúrgico quase interrompeu um marco da medicina paulista há 25 anos: a realização de um dos primeiros transplantes de fígado do interior de São Paulo, no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto. A lembrança do imprevisto veio à tona durante um evento promovido pelo hospital na quinta-feira (14) para celebrar os 25 anos do programa. O encontro reuniu cerca de 100 pessoas que, ao longo das décadas, receberam uma segunda chance de vida na instituição (veja abaixo). Naquela noite de 1º de maio de 2001, a equipe estava em alerta máximo quando a enfermaria do centro cirúrgico detectou uma falha no resfriamento da sala. Com o paciente receptor e o órgão doador prontos, a primeira orientação técnica foi suspender a cirurgia por falta de condições ideais de temperatura. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Equipe que realizou o primeiro paciente que realizou o transplante de fígado no HCFMRP HCFMRP Foi neste momento que a liderança médica precisou intervir para garantir que a oportunidade de salvar uma vida não fosse perdida. O médico Orlando de Castro e Silva Júnior, coordenador do procedimento à época, relata que recebeu a notícia em casa e precisou ser incisivo para evitar o cancelamento. “A enfermeira me liga: 'professor, o ar-condicionado pifou e nós vamos ter que suspender o transplante'. Eu falei: 'olha, minha senhora, não podemos não fazer esse transplante, porque o doador é bom, o receptor é bom e está na expectativa'. Pedi que ela desse um jeito”, relembra. A falha mobilizou uma força-tarefa de mais de 40 profissionais do hospital. Cerca de uma hora e meia após o alerta inicial, a equipe de manutenção conseguiu restabelecer metade da capacidade de refrigeração da sala. Diante da urgência do caso e do risco de perder o órgão doador, os médicos reavaliaram o cenário e decidiram prosseguir com a operação, mesmo com o equipamento operando de forma parcial. “Ela ligou novamente e disse que conseguiram consertar 50% do aparelho. Eu falei: 'então vamos tocar com os 50%'. Foi um susto danado”, conta o médico. Acervo EP Reprodução EPTV Cirurgia histórica Mesmo com o sistema funcionando apenas com metade da capacidade, a cirurgia avançou e durou cerca de 20 horas. O receptor foi o representante comercial Edélcio Alves Pinto, na época com 48 anos. O órgão veio de uma mulher de 42 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). O doutor Orlando, hoje morador de Chicago, nos Estados Unidos, reforça que o sentimento ao finalizar o trabalho foi de superação. “Foi uma sensação de muito mais do que dever cumprido, mas a satisfação de ver um paciente que sem o transplante não sobreviveria por mais tempo e que o procedimento teve importância para devolver sua vida e qualidade de vida”, afirma. À esquerda, o médico Orlando de Castro e Silva Júnior atualmente; à direita, o cirurgião durante os preparativos para o transplante histórico há 25 anos Reprodução EPTV/ Acervo EP Celebração e homenagens Entre os homenageados no evento desta quinta-feira estava o engenheiro civil Edson Gonçalves, transplantado em 2024. O paciente recorda que, antes da cirurgia, o prognóstico médico era desanimador. “Segundo os médicos, eu tinha pouco poucos dias de vida. Quando chegou a doação, eu estava muito ruim mesmo. Foi muito gratificante e emocionante para mim e para minha família. Viemos com aquela fé, com a garra e deu tudo certo”, conta. Outro símbolo de longevidade presente foi a dona Dionísia, de 88 anos, a quarta paciente transplantada na história do hospital, em outubro de 2001. Para a neta de Dionísia, a enfermeira Dandara Silveira, o caso da avó é a prova do impacto da ciência e do suporte familiar na recuperação do paciente. "É um exemplo, porque hoje ela pode mostrar para todo mundo que é possível fazer o transplante sem perigo, sem ter medo, e que ela pode trazer muita esperança para as outras famílias que às vezes acham que não tem mais salvação", diz a enfermeira. À esquerda, a paciente veterana Dionísia ao lado da neta, Dandara Silveira; à direita, o engenheiro Edson Gonçalves, transplantado em 2024. Reprodução EPTV Fila de espera Desde aquela noite de 2001, o HC de Ribeirão Preto já realizou 712 transplantes de fígado, 13 deles apenas nos primeiros meses de 2026. Os registros apontam uma produtividade crescente, com 38 cirurgias em 2023, seguidas de 44 procedimentos em 2024 e mais 44 em 2025. O professor Ajith Sankarankutty, coordenador do programa de transplante hepático no hospital e que também esteve presente na cirurgia histórica de 25 anos atrás, destaca que o sucesso da medicina depende da solidariedade. “Esse é um assunto que precisa ser discutido em vida, quando todo mundo está bem. É um assunto que não é tão agradável, mas é uma coisa que vai acontecer com todo mundo. Porque tem muitas pessoas que estão na fila e não tem órgão para todo mundo. Se tivesse mais órgão, a gente conseguiria ajudar muito mais pessoas”, finaliza. Fachada do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-FMRP-USP), onde parte do estudo foi desenvolvido e pacientes são atendidos Reprodução EPTV Assista à reportagem completa abaixo: HC de Ribeirão Preto celebra 25 anos do primeiro transplante de fígado do interior de SP Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/05/16/como-falha-em-ar-condicionado-quase-impediu-um-dos-primeiros-transplantes-de-figado-no-interior-de-sp.ghtml


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